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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

23 de janeiro

Ontem foi o dia da 4a sessão de quimio. Correu tudo bem, mas vou ter que tomar mais uma série de Granulokine, ou seja, minha imunidade está baixa o suficiente para precisar do remédio e não poder frequentar lugares fechados como cinema e transporte público, pois qualquer gripezinha pode atrapalhar bastante.

Explico: alguns índices do sangue devem estar bons para que a sessão ocorra, principalmente nas células brancas. Há os leucócitos e os neutrófitos. Os leucócitos devem estar acima de 4.500 - hoje estão em 2.800; os neutrófitos devem estar sempre acima de 1000, de preferência acima de 1274 (45,5%) - hoje está em 1092, ou 39%. Assim que eu souber a importância deles eu posto aqui.

Outras coisas também não são nada compreensíveis. O convênio tem arcado com todas as despesas - exceto o remédio preventivo, de que já falei anteriormente - mas não dá pra entender porque cobre apenas 1 agulha para cada sessão. Se eu precisar usar uma segunda agulha, tenho que pagar R$ 25,00. Já é a segunda que preciso, em 4 sessões - nesse ritmo, vou gastar 200 reais com a brincadeira. Tá, eu sei, esse valor é praticamente nada se comparado ao custo do tratamento, mas já que pagamos, eu e a G&A, um convênio decente, porque não incluir uma agulha a mais no tratamento?

Além disso, muita gente não entende a dinâmica de uma sessão de quimioterapia. É basicamente ficar sentadinha em uma poltrona confortável por cerca de 3 horas tomando remédios na veia. São 4 remédios, e no meu caso a cada 15 dias. Estar na clínica não me impede de falar ao telefone, acessar a internet, jogar no celular e até trabalhar, se preciso for. Ontem tentava acompanhar uma palestra do Campus Party sobre RP 2.0, que começaria às 17 horas. O Flávio estava comigo e tentava saber, pelo Twitter, se a palestra estava confirmada. E não é que uma pessoa ficou indignada, também no Twitter, por saber que o Flávio estava mais preocupado com o Campus Party do que comigo?

Pra começo de história o Flávio não estava mais preocupado com o evento do que comigo. Além disso, essa pessoa deve desconhecer meu tratamento e não é minha colega, apesar de também ter trabalhado com tecnologia. Recebo inúmeras mensagens de apoio de jornalistas mais próximos, principalmente quando chegam pelo Flávio, e não deixo de agradecer. Todos tem o direito de esclarecer suas dúvidas quanto ao tratamento, e estou à disposição para tirar alguns estigmas da "doença maldita". Dito isso, e a explicação acima, eu e o Flávio não precisamos nos privar do mundo lá fora enquanto estamos na clínica, ou seja, sim, queríamos assistir à palestra pela internet (obs: saímos de lá antes que ela começasse, pois atrasou bastante...). Portanto, antes de criticar nosso jeito de lidar com a doença e com o tratamento, sugerimos buscar informação - quer saber como eu estou, escreva, ligue, seja lá o que for. Mas não tire conclusões precipitadas, informe-se. Ou essa pessoa criticante espera o quê, que eu fique infurnada em casa, viva em função disso, que eu tenha vida e cara de doente? Felizmente, tenho muita gente à minha volta que me ajuda a ter a vida mais normal possível, tanto na família, quanto no trabalho e principalmente em casa. E não pretendo mudar isso por causa de uma crítica infundada. Só pra dar um exemplo, hoje estou trabalhando em casa, e o Flávio foi pra Campus Party de tarde. Ontem tive bastante sono, algum enjôo, e hoje o mal estar foi pequeno o suficiente para que ele esteja confiante em sair. Claro que se eu estivesse pior ele não teria feito isso.

Próxima sessão, 05/02 (sessão 05 de 16)

2 comentários:

fran disse...

oi, Juliana
Como você está? Desculpe só aparecer agora, mas não estava sabendo do seu diagnóstico e nem do seu blog. Encontrei o Flavio numa coletiva em dezembro e o danado não falou nada! tisc, tisc. agora, visitando o blog dele, que eu não entrava há um bom tempo, é que eu vi uma menção ao seu.
Bom, eu queria te dizer que, apesar desse novo desafio, o importante é que você conseguiu diagnosticá-lo rapidamente e já iniciar o tratamento. E o melhor: pelo que li aqui vc está reagindo muito bem. É isso aí, menina! todo mundo, em qq lugar e a qq hora pode ficar dodói, mas o importante é se cuidar e tb descansar.
Encare como um tratamento com começo, meio e fim, e continue tomando essa granulokine. é super importante. minha mãe tb teve um outro diagnóstico há três anos e tomou vários granulokines. foi super bom pq ele dá um up no que está down.
sobre o cabelo, eu li o que vc escreveu e compreendi seus sentimentos. olha, a boa notícia é que depois o cabelo cresce, viu? e não é papinho não. por duas vezes, em diferentes fases da vida, minha mãe teve dois diagnósticos diferentes e em ambos precisou fazer quimio. te garanto que o cabelo dela é mais forte e bonito hj que no passado.
cabelo cresce e a vida é cíclica. as coisas mudam tanto, né? cada hora temos um desafio diferente pra enfrentar. o importante é manter a mente positiva e saudável e fazer as coisas no seu ritmo.
achei legal que vc está na ativa, mas tb se dê uns momentos de relax e descanso, hein? às vezes é muito bom simplesmente não fazer nada.
bom, se precisar de qq coisa me avise. depois pegue meu e-mail com o flávio e me mande o seu pra gente se falar mais.
um beijo,
Fran

Inagaki disse...

Conheci o Flávio pessoalmente nesta CParty, diga-se de passagem, e só então fui descobrir que ele é seu respectivo. :) E agora, com o péssimo timing que me é habitual, é que soube que você está fazendo quimioterapia. Cá estou deixando este comentário, pois, para desejar a você a recuperação mais plena e imediata possível, viu? Um abraço!