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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

07 a 20 de dezembro de 2008

Dia 19 de dezembro, sexta-feira, foi o último dia antes das férias coletivas. Até então, correria para achar um assistente para o trabalho. Seria preciso tanto para cobrir minhas férias quanto para os dias ausentes no tratamento, como esta mesma sexta-feira.

Dia 18 de dezembro fiz minha segunda sessão de quimio. Desta vez, para prevenir tremedeiras, inverteram a ordem do ABVD e não tive esta reação. O estômago seguiu conversando comigo por algum tempo, a cor demora pra voltar ao rosto, mas tudo bem. Desta vez minha mãe também estava na clínica, junto com o Flávio. Ela chegou de Londres dia 13, e fica um mês no país.

Antes do ano acabar soube mais do tratamento. Serão 16 sessões, divididas em 8 ciclos, ou seja, 2 vezes ao mês. Ainda terei mais um pet scan (mapa do meu abdômem) para fazer, assim como mais uma dose do Zoladex. Com esta previsão, 09 de julho será o último dia. E é depois da segunda sessão que meu cabelo pode começar a cair.

Primeira semana de dezembro de 2008

Voltei ao trabalho no dia 01 de dezembro. Dia 04 de dezembro foi minha primeira sessão de quimioterapia. É uma casa bonita, na avenida Europa, com muitas árvores e passarinhos pra se distrair. A Raquel e o Flávio foram comigo, o enfermeiro Alexandre me deu as recomendações necessárias, dra. Mariana veio me ver. Desde então, acostumo-me com alguns termos, como ABVD (iniciais dos medicamentos que tomo), hemograma, neutrócitos, leucócitos, glóbulos vermelhos, anemia... Enfim, exames de sangue (nem tenho mais medo de agulha) e umas 3 horas de poltrona até todo o remédio ser aplicado.

Há também os tratamentos / exames paralelos. Não daria tempo para colher óvulos e congelar, então o jeito foi tomar uma injeção chamada Zoladex, por indicação da ginecologista, que protege os ovários enquanto estiver em tratamento. Desta fez a Sul América me deixou na mão: tratamento preventivo não é coberto pelo convênio, teria que pagar. Entra em cena o tio Ronaldo, que gentilmente cobriu esta despesa. O pet scam de abdômem também não daria pra pagar, e o convênio não cobriu novamente. Mas desta vez o Incor me acolheu, com uma guia da Secretaria de Saúde sabiamente conseguida pela Raquel. No dia do exame a reunião com o cliente teve que ficar em segundo plano. E a gente começa a lidar com imprevistos.

Com a primeira sessão de quimio saberíamos como meu corpo iria reagir. Enjoo, vômitos, tonturas e afins eram previstas, mas não a bacteremia que veio logo após o término da sessão. Tremia feito vara verde, de frio, e foi necessário resgatar o médico que estava de saída da clínica para me atender junto com os 3 enfermeiros presentes. Bom, ainda tinha a Raquel e o Flávio pra me acudir, mas foi preciso uma dose de alguma coisa, mais oxigênio, pra voltar ao normal. E assim terminou meu dia 04 de dezembro. Passei bem à noite, sexta feira não fui ao escritório e fiquei em home office. Era preciso ver como o corpo se comportava. Leve enjoo e só. Ainda bem.

No dia 02, junto com pizza e pudim de chocolate, foi a vez de contar para a minha vó o que eu de fato tinha. Falei até onde ela queria ouvir. Quando parou de perguntar, parei de responder. Dois dias depois ela tirou as dúvidas com a tia Meirinha, e me ligou para perguntar como tinha sido minha primeira sessão, como eu estava, e que eu iria ficar boa. Minha vó tem 70 anos. Teve câncer de mama aos 50 e poucos, mais ou menos há 15 anos. Acompanhei de perto, morava com ela. E contar para ela que eu também estava com câncer era meu maior receio, pois não queria que ela ficasse muito mal. Hoje, a cada 15 dias ela me liga para saber como estou. Obrigada, vó, e a todos que torcem por mim.

As primeiras reações

Junto com o diagnóstico final no dia 25 de novembro veio a primeira crise. Eu já sabia o que era linfoma, já sabia o que eu tinha, mas foi nesse dia que ouvi como seria meu tratamento. Quimioterapia por pelo menos 6 meses, duas vezes ao mês. Meu cabelo iria cair, tinha por volta de 30% de chance de ficar infértil. E vieram as primeiras lágrimas antes mesmo da médica terminar de falar.

Chorei muito. Muito mesmo. Nunca duvidei da minha cura, mas a que custo? Chorei pelo sofrimento futuro, chorei pelos 6 meses difíceis que teria pela frente. Ou melhor, teríamos. Foi a primeira vez que eu vi o Flávio chorar.

Neste dia bloqueei visitas ao quarto. Ainda bem que ninguém apareceu. Dormi cedo, antes da novela. Estava exausta. No dia seguinte mandei o e-mail às meninas - Carla, Giseli e Gabriela, com o título de "the hardest part". A Carla me ligou aos prantos. Ela, que tinha até vindo de Bauru me visitar no hospital. As 3 mosqueteiras restantes estiveram sempre presentes, ainda estão, sempre.

A previsão de sair do hospital no dia 21 não se concretizou, claro. Saí dia 27, quinta-feira. Voltei ao trabalho na segunda seguinte. Recebi até flores! Desde então, foi preciso repensar agendas, horários, reuniões e afins para adaptar uma nova rotina: o tratamento.