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sexta-feira, 30 de abril de 2010

30 de abril

Hoje a Abrale fez uma palestra sobre fertilidade durante e após o tratamento. A associação, aliás, tem uma série de encontros relevantes, que podem até ser acompanhados pela internet. Aqui tem a lista dos próximos eventos.

A questão da fertilidade foi uma das minhas principais preocupações quando a ficha caiu. Chorei muito diante da possibilidade de ficar infértil. Não que eu tenha urgência em ser mãe (apesar da ginecologista insistir que eu o faça logo, pois já tenho mais de 35 anos), mas é uma coisa que eu e o Flávio queremos um dia. A quimioterapia pode afetar uma mulher de diferentes formas, seja com o tradicional enjoo, a queda de cabelo ou a produção de óvulos. Mexe muito com os hormônios e dá uma bagunçada no organismo.

Como ninguém sabe quanto tempo demora até o corpo voltar ao normal após o tratamento, existem algumas alternativas para cuidar dos seus óvulos. Um método meio extremo, que foi sugerido, é a extração de um ovário, congela-se e reimplanta após a cura. Outra é o congelamento de óvulos, que muita mulher faz quando está em tratamento de fertilidade. Nós (eu, marido e médica) optamos por tomar remédio, ainda mais porque não teria tempo de retirar óvulos e congelá-los. É preciso tomar uma carga grande de hormônios para estimular a produção em massa, e depois retirá-los, e eu tinha pressa. O tratamento não poderia esperar mais uns 2 meses, por exemplo.

Daí veio o Zoladex. É uma injeção usada no tratamento de endometriose e interrompe o fluxo menstrual. Pára tudo por uns 3 meses. Se não produz, não tem o que a quimio afetar. Eu já estava acostumada a interromper o fluxo com anticoncepcional, tudo com indicação médica, então pra mim não fez muita diferença. Tomei 2 doses: uma no início e outra na metade do tratamento. Não é barato, paguei 1 e ganhei a outra. Mas quem é que disse que tem algo barato em um tratamento de câncer?...

Enfim, 9 meses depois do término das sessões de ABVD, estou monitorando meus hormônios. Fiz exames médicos em dezembro, depois em março, e está quase estabilizando. Como não tenho planos de filhinhos esse ano, dá tempo de tudo voltar ao normal. Próximos exames em maio, retorno médico em junho. E depois é se planejar pra um futuro não muito distante...

Beijo, Juliana

quinta-feira, 8 de abril de 2010

08 de abril

Hoje é o dia Mundial de combate ao Câncer. Recebi ontem um link com a iniciativa do Graacc e estou colaborando prontamente!
Conheço um pouco do trabalho pois minha sogra é voluntária na instituição. Hoje, doando meu blog, faço minha parte. Espero que o retorno seja tão bom quanto do McDia Feliz, que arrecada uma grana importante para o Graacc.

Enfim, se todos ajudarmos de alguma forma, muitas crianças podem ter acesso a tratamento decente. Vida longa ao Graacc!

sexta-feira, 26 de março de 2010

26 de março


Ontem foi dia de consulta. Exames feitos no sábado (cada dia mais difícil de achar veias pra colocar contraste...), avaliação da Dra. Mariana, tudo em ordem, Hodgkin em remissão. Hormônios voltando ao normal, e agora me preparo para tirar o Port a cath em julho!!! Até lá, heparinização todo mês.

Enquanto cuidava do bichinho no peito ontem, resolvi descobrir como é que ele é, afinal de contas. Como o meu não foi colocado da forma tradicional (ele dá uma volta a mais no peito por causa de uma veia que atrapalhou todo o processo) o Alexandre, enfermeiro do CPO e leitor deste blog (Obrigada!!!), me mostrou um port a cath fora do peito.




Há uma peça de silicone, que é onde a agulha entra para fazer a aplicação de quimio ou a hepa, e essa peça fica presa no peito, geralmente amarrada em alguma costela. Antes que alguém fique com aflição, não, ela não dói, não se sente nada - a não ser quando alguém dá um abraço mais efusivo e me aperta toda. Mas isso a gente controla. Imagino que deve ser como amassar prótese de silicone nos seios...

Um abraço, Juliana