É, eu sei. Dia 16 de julho comemorei 4 anos de remissão e faltou um post por aqui. Mas acabei fazendo isso pelo Facebook, e com link do 16 de julho original, então o dia não passou em branco.
Mas meu post de hoje é sobre a novela das oito (ou das nove, pra quem preferir). Quem acompanha sabe que a Nicole tem Linfoma de Hodgkin e que vai morrer, voltar fantasma vestida de noiva. Sem contar que acho brega, cafoníssimo e uma cópia descarada de Nelson Rodrigues (que não tem nada a ver com o câncer mas tudo a ver com noivas fantasmas), Walcyr Carrasco perdeu uma oportunidade de ouro para falar sobre linfoma. Eu nem gosto da Gloria Perez, mas se tem uma novelista que usa o horário pra falar de uma campanha, é ela - e Walcyr Carrasco deveria inspirar-se nela pra uma campanha, em vez de ficar de birra porque a atriz não quis cortar o cabelo...
Algumas associações de pacientes estão se mobilizando pra mostrar que a novela não reflete, necessariamente, a vida real. Claro que existem casos graves, mas olha, os índices de cura estão acima de 80% - e adivinha quem faz parte dessa estatística??? A Abrale e a ABHH (Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular) estão divulgando informações sobre a doença, e alguns jornalistas já se engajaram nisso. Hoje, a Claudia Collucci escreve em sua coluna na Folha de S.Paulo sobre o assunto, recomendo a leitura e a divulgação. Para ler, basta clicar no link no nome do jornal.
Até escrevi pro autor, em seu perfil no twitter - @walcyrcarrasco - mas não creio que ele tenha visto. Muitos colegas estão indignados com a história. Vale tudo, então, pra ter mais audiência, mais drama? Sei não. E também não sei se vou acompanhar a novela, pra não me irritar ainda mais.
Em 20/11/08, fui diagnosticada com Linfoma de Hodgkin. Em junho de 2009, veio a cura. Este blog será mais uma forma de acompanhar o tratamento.
terça-feira, 30 de julho de 2013
terça-feira, 4 de junho de 2013
04 de junho
Essa semana, entre 06 e 08 de junho, acontece a VIII Conferência de Onco-Hematologia da Abrale. O assunto é Direitos da Pessoa com câncer. Fui convidada pela Abrale a divulgar o congresso, conseguir mais inscrições, mais audiência - aumentar o alcance da mensagem. Por mais tardio que seja este post, a divulgação não é só isso: fico feliz em contar com o trabalho da agência de comunicação onde trabalho, a Concept, com a divulgação à imprensa. Aumentar o alcance da mensagem também inclui falar com tantos jornalistas, no Brasil inteiro. Por mais que o evento seja em São Paulo, ele será transmitido online, então qualquer pessoa pode inscrever-se e assistir, participar, opinar, informar-se. Obrigado à Abrale e à Concept por ser parte disso.
Abaixo, o cartaz da conferência. Tem o link do site para informações.
Abaixo, o cartaz da conferência. Tem o link do site para informações.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
13 de maio
Hoje é dia de Nossa Senhora de Fátima. Antes que perguntem, não sou devota a ela, mas hoje vi uma cena muito bonita, que compartilho com todos.
Estava na academia, 8:30 da manhã, quando vejo a Ana Maria Braga, em seu programa, receber a imagem em seu santuário, direto de Fátima, em Portugal. A apresentadora é grande devota, especialmente durante / depois do câncer que teve, no início da década de 2000. Ela fez a peregrinação algumas vezes a Portugal, sempre acompanha as ações por aqui, e hoje ela simplesmente agradece pelas graças alcançadas. Eu acho muito bonito quando as pessoas só agradecem aos santos de devoção, não ficam pedindo milagres ou coisas impossíveis. É como se agradecessem pela presença do santo em sua vida, dessa proteção que não se vê.
Eu não tenho esse apego a santos nem a religião alguma. Quando cantava no coral, tinha preferência pelas músicas sacras, pois uma vez ouvi que "oramos enquanto cantamos" e achei que fazia sentido. Não acho que minha cura seja um milagre. Acho que foi um trabalho conjunto de vários anjos da guarda - na terra e no céu. Acho muito simplista e nada justo com os médicos e profissionais que me acompanharam (e ainda acompanham) atribuir minha cura a um santo. Especialistas de várias áreas e religiões reconhecem o poder da fé em tratamentos, não questiono; mas é a fé em mim que me moveu. É a fé que eu estava fazendo meu melhor, que eram as melhores opções que eu tinha. E sempre reconheci ser uma pessoa de sorte, por ter acesso e recursos pra me tratar, por não ter tanta reação à quimio... isso não me faz uma pessoa especial. Isso me faz particular, específica.
Tenho consciência de que muitos casos médicos e suas curas são atribuídos a milagres. Eu sou muito cética (percebe-se). Eu acho também que não dá pra deixar tudo na mão dos santos, "faça-se a sua vontade" - profissionais da saúde existem por uma razão. Se é um trabalho conjunto, anjos, santos e médicos, cada um faz a sua parte - principalmente paciente - e aí a coisa anda melhor. E se a sua crença não incluir anjos ou santos, fique à vontade para trocar essas palavras pelo que lhe convier. Sentar e esperar por dias melhores é muito cômodo. E acomodada eu nunca fui.
Estava na academia, 8:30 da manhã, quando vejo a Ana Maria Braga, em seu programa, receber a imagem em seu santuário, direto de Fátima, em Portugal. A apresentadora é grande devota, especialmente durante / depois do câncer que teve, no início da década de 2000. Ela fez a peregrinação algumas vezes a Portugal, sempre acompanha as ações por aqui, e hoje ela simplesmente agradece pelas graças alcançadas. Eu acho muito bonito quando as pessoas só agradecem aos santos de devoção, não ficam pedindo milagres ou coisas impossíveis. É como se agradecessem pela presença do santo em sua vida, dessa proteção que não se vê.
Eu não tenho esse apego a santos nem a religião alguma. Quando cantava no coral, tinha preferência pelas músicas sacras, pois uma vez ouvi que "oramos enquanto cantamos" e achei que fazia sentido. Não acho que minha cura seja um milagre. Acho que foi um trabalho conjunto de vários anjos da guarda - na terra e no céu. Acho muito simplista e nada justo com os médicos e profissionais que me acompanharam (e ainda acompanham) atribuir minha cura a um santo. Especialistas de várias áreas e religiões reconhecem o poder da fé em tratamentos, não questiono; mas é a fé em mim que me moveu. É a fé que eu estava fazendo meu melhor, que eram as melhores opções que eu tinha. E sempre reconheci ser uma pessoa de sorte, por ter acesso e recursos pra me tratar, por não ter tanta reação à quimio... isso não me faz uma pessoa especial. Isso me faz particular, específica.
Tenho consciência de que muitos casos médicos e suas curas são atribuídos a milagres. Eu sou muito cética (percebe-se). Eu acho também que não dá pra deixar tudo na mão dos santos, "faça-se a sua vontade" - profissionais da saúde existem por uma razão. Se é um trabalho conjunto, anjos, santos e médicos, cada um faz a sua parte - principalmente paciente - e aí a coisa anda melhor. E se a sua crença não incluir anjos ou santos, fique à vontade para trocar essas palavras pelo que lhe convier. Sentar e esperar por dias melhores é muito cômodo. E acomodada eu nunca fui.
Assinar:
Postagens (Atom)
