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segunda-feira, 7 de junho de 2010

Novo blog

Semana passada descobri o blog da atriz Márcia Cabrita, o Força na Peruca. Uma amiga me encaminhou o link e desde então me tornei seguidora.

Pra quem não sabe, a Márcia foi diagnosticada com câncer no ovário, já operou e está fazendo quimio. E não é por ela ser atriz ou mais famosa que a gente que as reações são diferentes, que a família é diferente, que os amigos são diferentes. Pacientes se reconhecem, certo?

A Drika Moraes também se trata de câncer mas desconheço que tenha um blog. Enfim, fica a dica. Torcida sempre.



07 de junho

Aventuras no Delboni...

Ontem fui fazer TC no Delboni da Brasil 721. Pra quem não está em SP, é uma das unidades do Delboni Auriemo que ficam perto da minha casa e uma das únicas que atendem aos domingos, uma conveniência e tanto. Mas fazer exames no Delboni nunca são tranquilos e sem ocorrências. Em outras situações, também para tomografia, tiveram que me picar 3 vezes pra achar veia, sempre alternando os braços, claro. Tá, minha parte da história é que a quimio danificou as veias, é difícil pegar, mas até aí eles deveriam estar preparados inclusive para pacientes como eu, não?

Ontem, mais uma aventura. Estava eu deitada na máquina pra fazer a tomo, já com a veia pulsionada e tudo mais (e não foi difícil) quando a cânula que passava o contraste estourou com a pressão. E o líquido não é nada agradável. Imagina glicose. É isso aí. E pela minha posição, deitada, com os braços para cima, imagina para onde correu todo esse líquido gosmento? meu cabelo!

Para tudo o procedimento, fecha a máquina de contraste, começa tudo de novo. E não, o produto não sai assim, fácil, da pele, da cara, do cabelo... Tem que lavar. Uma moça prestativa limpou meus braços, mas o cabelo ficou pro final mesmo. Quando o exame acabou, o estrago no espelho era bizarro. Meu cabelo tava todo grudado, não dava pra fazer nada a não ser ir pra casa e tomar banho. Ainda bem que não tinha nenhum compromisso após o exame, senão teria que mudar tudo.

Bom, o que importa é que o exame fica pronto na quarta, e vou receber no escritório. Quinta tem consulta, e é quando vou resolver a retirada do port a cath. E é na quinta que vou saber quando volto ao Delboni, mas acho que só daqui a 3 ou 6 meses...

Quem mais tem aventuras no laboratório? Deixe mensagem!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

30 de abril

Hoje a Abrale fez uma palestra sobre fertilidade durante e após o tratamento. A associação, aliás, tem uma série de encontros relevantes, que podem até ser acompanhados pela internet. Aqui tem a lista dos próximos eventos.

A questão da fertilidade foi uma das minhas principais preocupações quando a ficha caiu. Chorei muito diante da possibilidade de ficar infértil. Não que eu tenha urgência em ser mãe (apesar da ginecologista insistir que eu o faça logo, pois já tenho mais de 35 anos), mas é uma coisa que eu e o Flávio queremos um dia. A quimioterapia pode afetar uma mulher de diferentes formas, seja com o tradicional enjoo, a queda de cabelo ou a produção de óvulos. Mexe muito com os hormônios e dá uma bagunçada no organismo.

Como ninguém sabe quanto tempo demora até o corpo voltar ao normal após o tratamento, existem algumas alternativas para cuidar dos seus óvulos. Um método meio extremo, que foi sugerido, é a extração de um ovário, congela-se e reimplanta após a cura. Outra é o congelamento de óvulos, que muita mulher faz quando está em tratamento de fertilidade. Nós (eu, marido e médica) optamos por tomar remédio, ainda mais porque não teria tempo de retirar óvulos e congelá-los. É preciso tomar uma carga grande de hormônios para estimular a produção em massa, e depois retirá-los, e eu tinha pressa. O tratamento não poderia esperar mais uns 2 meses, por exemplo.

Daí veio o Zoladex. É uma injeção usada no tratamento de endometriose e interrompe o fluxo menstrual. Pára tudo por uns 3 meses. Se não produz, não tem o que a quimio afetar. Eu já estava acostumada a interromper o fluxo com anticoncepcional, tudo com indicação médica, então pra mim não fez muita diferença. Tomei 2 doses: uma no início e outra na metade do tratamento. Não é barato, paguei 1 e ganhei a outra. Mas quem é que disse que tem algo barato em um tratamento de câncer?...

Enfim, 9 meses depois do término das sessões de ABVD, estou monitorando meus hormônios. Fiz exames médicos em dezembro, depois em março, e está quase estabilizando. Como não tenho planos de filhinhos esse ano, dá tempo de tudo voltar ao normal. Próximos exames em maio, retorno médico em junho. E depois é se planejar pra um futuro não muito distante...

Beijo, Juliana